O protesto de povos indígenas contra o decreto federal que trata da ampliação e regulamentação de hidrovias na Amazônia entrou nesta terça-feira (4) na segunda semana consecutiva. A mobilização, liderada principalmente por comunidades Munduruku, reúne lideranças indígenas, organizações socioambientais e apoiadores que afirmam não terem sido consultados previamente sobre as medidas.
Os manifestantes argumentam que o decreto pode abrir caminho para impactos ambientais irreversíveis, como o aumento do desmatamento, da mineração ilegal e da pressão sobre territórios tradicionais. Segundo as lideranças, a alteração no uso dos rios ameaça diretamente o modo de vida das comunidades que dependem da pesca, da navegação tradicional e do equilíbrio ambiental da região.
“O rio é nossa estrada, nossa fonte de alimento e nossa história. Qualquer decisão precisa ouvir quem vive aqui”, afirmou uma liderança indígena durante o ato.
Além das manifestações em território amazônico, o movimento tem ganhado repercussão nacional e internacional, com pedidos de diálogo direto com o governo federal e a suspensão do decreto até que sejam realizados estudos de impacto ambiental e consultas previstas pela Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT).
Em nota, o governo informou que o decreto tem como objetivo melhorar a logística e o escoamento da produção, garantindo desenvolvimento econômico à região, e afirmou estar aberto ao diálogo com representantes indígenas e órgãos ambientais.
Enquanto isso, os protestos seguem sem previsão de encerramento. As lideranças afirmam que a mobilização continuará até que haja um compromisso formal do governo em rever o decreto e assegurar a participação efetiva dos povos indígenas nas decisões que afetam a Amazônia.

















