Tapajós vira centro de disputa entre indígenas e governo após pressão contra projeto de hidrovia

Foto: Reprodução/Reprodução

O rio Tapajós se tornou um dos principais focos de tensão na Amazônia após a mobilização de povos indígenas contra medidas do governo federal ligadas à hidrovia da região. O centro da disputa envolve o Decreto nº 12.600, editado em agosto de 2025, que incluiu as hidrovias dos rios Tapajós, Madeira e Tocantins no Programa Nacional de Desestatização, abrindo espaço para investimentos privados em ações como dragagem e operação logística.

A reação indígena ganhou força no início de 2026, com ocupações e protestos em Santarém, no oeste do Pará. Segundo as reportagens, o movimento começou em 22 de janeiro e reuniu centenas de indígenas de comunidades do Baixo Tapajós e de outros territórios, com reivindicações centradas na revogação do decreto e na exigência de consulta livre, prévia e informada sobre qualquer empreendimento que afete os povos da região.

A pressão levou o governo a recuar em etapas. Em 6 de fevereiro, foi anunciada a suspensão do processo de contratação para dragagem do rio Tapajós, apresentada pelo governo como gesto de negociação com indígenas, comunidades tradicionais e organizações sociais. Na sequência, em 23 de fevereiro, o governo federal anunciou a revogação do Decreto nº 12.600, decisão publicada depois no Diário Oficial, após reuniões com lideranças indígenas e ministros.

Para os povos indígenas, a principal crítica era que a ampliação da logística hidroviária poderia aprofundar impactos ambientais e territoriais sem consulta adequada às comunidades afetadas. O governo, por sua vez, afirmou que reafirmaria o compromisso de realizar consulta prévia, nos termos da Convenção 169 da OIT, em qualquer projeto relacionado à hidrovia do Tapajós.

O episódio transformou o Tapajós em símbolo de um debate maior sobre desenvolvimento, infraestrutura e direitos territoriais na Amazônia. De um lado, está a pressão por corredores de transporte voltados ao escoamento de cargas; de outro, o alerta de povos originários e entidades socioambientais sobre os efeitos dessas obras em rios, comunidades e modos de vida tradicionais.

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