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O Ibama realizou, em 23 de abril de 2026, oficinas de educação ambiental com indígenas da etnia Macuxi na Terra Indígena Santa Inês, em Roraima, com foco na preparação das comunidades para os impactos de um possível super El Niño na Amazônia. Segundo o órgão, a ação busca capacitar os moradores para enfrentar calor extremo, estiagem severa e aumento do risco de incêndios florestais.
De acordo com a cobertura oficial, as projeções meteorológicas apontam que o fenômeno pode provocar forte aquecimento no oceano Pacífico, com reflexos diretos sobre a região Norte do Brasil. Na área atendida pelas oficinas, o risco climático atinge cerca de 30 mil hectares e envolve as comunidades indígenas Leão de Ouro e Santa Inês.
As atividades foram conduzidas pela equipe local de Educação Ambiental do Ibama, junto com o Prevfogo, em parceria com a Funai e a Embrapa. Entre os temas trabalhados estiveram os efeitos do desequilíbrio climático, o uso mais consciente do fogo nas roças, a redução de resíduos e estratégias de adaptação para períodos de seca prolongada.
A oficina também tratou de um problema que já afetou diretamente as comunidades. Segundo relato reproduzido na matéria, os incêndios florestais de 2024 destruíram plantações de mandioca, milho e outros alimentos de subsistência, além de prejudicar a caça e ampliar a dependência de ajuda pública. O Ibama afirma que, por isso, alertar os povos indígenas sobre eventos extremos e medidas preventivas se tornou parte central da proteção ambiental e social na região.
Outro ponto abordado foi a queima prescrita, usada de forma planejada no início da seca para reduzir material combustível e evitar incêndios maiores. A Embrapa também apresentou uma proposta de sistema integrado de produção com peixes, aves, hortaliças, frutas e grãos em uma mesma área, como alternativa para reforçar a segurança alimentar das famílias durante períodos críticos.
No contexto amazônico, a ação mostra que a preparação para eventos climáticos extremos já deixou de ser apenas uma pauta técnica e passou a afetar diretamente a vida de comunidades indígenas. Mais do que prevenir fogo, o trabalho tenta proteger produção de alimentos, saúde e permanência dessas populações em seus territórios diante de um clima cada vez mais instável.



















