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A Floresta Nacional do Bom Futuro, em Rondônia, passou a integrar um projeto inédito no país após o governo federal realizar, em 25 de março, o primeiro leilão brasileiro de concessão voltada à restauração florestal com geração de créditos de carbono. O certame ocorreu na B3, em São Paulo, e teve como alvo a Unidade de Manejo II da Flona, uma das áreas protegidas mais pressionadas da Amazônia.
Segundo o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, a empresa Re.green venceu a disputa e ficará responsável pela gestão de uma área de 51,2 mil hectares ao longo de 40 anos. O projeto prevê a restauração direta de 6.290 hectares de áreas degradadas, com foco na recomposição das funções ecológicas da floresta, na conservação da biodiversidade e no enfrentamento da mudança do clima.
O modelo é tratado pelo governo como um marco por transformar a restauração ambiental em atividade econômica estruturada. A concessão permite que o parceiro privado obtenha receita por meio da comercialização de créditos de carbono e de produtos ligados à silvicultura com espécies nativas, criando uma base financeira para sustentar a recuperação da floresta ao longo do tempo.
Os números projetados para a unidade mostram o peso da iniciativa: investimento estimado em R$ 87 milhões, potencial de geração de 1.897.302 toneladas de CO2 equivalente e criação de 479 postos de trabalho, sendo 272 diretos e 207 indiretos. O governo também informou que haverá repasses anuais ao Serviço Florestal Brasileiro, ao Fundo Nacional de Desenvolvimento Florestal, ao estado, ao município e ao ICMBio.
Outro ponto destacado pela cobertura oficial é a participação de comunidades locais. O povo indígena Karitiana, consultado durante a estruturação do edital, manifestou interesse em participar da cadeia produtiva com o fornecimento de sementes e mudas de espécies nativas, insumos considerados essenciais para a restauração ecológica da área.
No contexto amazônico, o projeto coloca Rondônia no centro de uma nova frente da política ambiental brasileira: a tentativa de conciliar recuperação de áreas degradadas, geração de renda e valorização de serviços ambientais em uma unidade de conservação sob forte pressão territorial.


















