Queimadas deixaram estados da Amazônia com até 138 dias de ar nocivo à saúde, aponta estudo

Foto: Reprodução/Reprodução

As queimadas voltaram a expor a população amazônica a um cenário crítico de poluição atmosférica, segundo estudo divulgado em 23 de março. A pesquisa aponta que, durante o ciclo mais severo de fogo recente, estados da Amazônia chegaram a registrar até 138 dias com ar em níveis nocivos à saúde, evidenciando os efeitos da fumaça sobre o cotidiano e sobre os sistemas públicos de atendimento.

De acordo com a reportagem baseada em nota técnica do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), em 2024 a Amazônia enfrentou um quadro extremo de seca e queimadas, o que ampliou drasticamente a presença de partículas finas no ar. O estudo informa que a área atingida pelo fogo superou 17 milhões de hectares naquele ano. Já em 2025, com a normalização das chuvas e a adoção de políticas de manejo do fogo, a área queimada caiu 78%, para 3,8 milhões de hectares, e a presença de ar impuro na região foi reduzida em 71%.

Mesmo com a melhora em 2025, o problema continuou forte em partes da Amazônia. A cobertura mostra que estados da porção sudoeste do bioma ainda enfrentaram mais de 20 dias de exposição à fumaça tóxica, e que Rondônia liderou o ranking de exposição prolongada em 2024, com 100 dias de ar poluído. Em 2025, os maiores períodos consecutivos de má qualidade do ar foram registrados no Maranhão, com 13 dias, e em Rondônia, com 11 dias.

O estudo destaca que a poluição está ligada à presença de PM2.5, material particulado fino associado às queimadas e relacionado a doenças cardiovasculares, câncer de pulmão e outros agravamentos à saúde. A nota técnica defende que o monitoramento sistemático da qualidade do ar passe a integrar de forma permanente as políticas de prevenção ao desmatamento e às queimadas na Amazônia, além da criação de protocolos específicos para a área da saúde.

Os dados também mostram uma mudança no mapa da poluição entre 2024 e 2025. Se antes os episódios críticos se concentravam mais no sudoeste da Amazônia Legal, depois passaram a aparecer com mais força na porção leste do bioma, incluindo municípios do Pará e do Maranhão. O levantamento indica que o problema não depende apenas da extensão das áreas queimadas, mas também da combinação entre clima extremo, ações humanas e circulação das massas de ar.

No contexto amazônico, o estudo reforça que queimadas não provocam apenas destruição ambiental, mas também uma crise silenciosa de saúde pública. A fumaça se espalha por dias ou semanas, atinge centros urbanos e comunidades isoladas e amplia a pressão sobre hospitais e serviços de atendimento.

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